|
No sábado, dia 1o de Agosto, ocorreu o Encontro da Comissão Paulista pré-Conferência de Comunicação com o intuito de se definirem pautas a serem abordadas na Conferência Nacional prevista para novembro deste ano.
O Coletivo Digital defendeu suas idéias no Grupo Temático: Inclusão Digital e Internet.
Confiram o texto na íntegra com as propostas do Coletivo: Acesso à máquina, acesso à rede, acesso à informação.
O Coletivo Digital entende a compreensão da tecnologia como essencial à comunicação. Porque os processos tecnológicos têm papel central no modo como os atores e canais de transmissão do conhecimento são desenhados. E porque a partir do momento em que a tecnologia e o conhecimento são libertos e acessíveis ao povo, abrem-se fissuras no monopólio da grande mídia corporativa.
O novo espaço de debate e circulação das idéias oferecido pela tecnologia digital e pela rede mundial de computadores invertem a lógica do broadcast, da informação "de cima para baixo" que, forjada no fogo dos interesses políticos, é imposta ao público.
Na internet, com o site independente, ao mesmo clique do espaço da mídia corporativa, é criado um novo ecossistema da informação. A leitura e o remix de cada novo dado o reveste (ou despe) de valor. Aumenta ou diminui sua velocidade de circulação. Pauta a agenda do dia, ou a desconstrói.
Entendemos o suporte digital como o central ao futuro da comunicação. E, no estímulo a esse inédito nivelamento entre produtores e consumidores midiáticos, encontramos a estratégia para minar a concentração de poder por grupos de mídia que tratem informação e público como mercadoria.
O volume e a força dos novos personagens que, em rede, se organizam para produzir e circular a informação contra-hegemônica, provocando curto-circuitos na agenda dos jornalões, têm seu sopro de vida no acesso. Acesso à máquina, acesso à rede, acesso à informação.
Em blogs alternativos, novas imagens, sons, fatos e opiniões encontram eco, se alimentam, frutificam. E é no fortalecimento dessas novas redes cidadãs de produção e difusão da informação, em sua absorção como veículos legítimos, que encontramos o real contraponto, a médio prazo, aos produtos e circuitos culturais que desrespeitam o público.
Como trabalhadores da inclusão digital e militantes do movimento telecentrista, consideramos essencial à reformulação da comunicação no Brasil: 1) o acesso de todos os cidadãos e cidadãs à banda larga e às ferramentas de processamento de informação em formato livre e aberto; e 2) a adoção de modelos e ferramentas que possibilitem a livre circulação, publicação e remixagem da informação e de produtos culturais; 3) que se reforce, num esforço interministerial, a infra-estrutura dos Telecentros e dos Pontos de Cultura, pensando-os como espaços para a produção e difusão de informação e produtos culturais pela internet.
Os Telecentros, Pontos de Cultura e outras ações voltadas à inclusão digital, mais que apresentar cidadãos e cidadãs à simples tecnologia, configuram-se, cada vez mais, em pontos de rede vibrantes. Espaços que, através da Internet, oferecem a milhões participação ativa no debate midiático. E, que, por isso, merecem ter sua voz ouvida na Conferência Nacional de Comunicação
|